
Mais uma Quinta Gramatical começando e o tema de hoje é um combo! São duas das figuras de linguagem mais famosas (e mais fáceis): comparação e metáfora.
A comparação é autointitulada; nada mais é do que a analogia entre palavras com o uso de termos comparativos, tendo o objetivo de explicitar características similares entre os termos escolhidos. Por exemplo:
De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa
Já a metáfora é uma comparação implícita, em que um significante (i.e, palavra) substitui outro em determinado contexto, sem se utilizar de termos comparativos. Metáforas estão muito presentes em expressões populares, como “dar murro em ponta de faca” e “morto de fome”.
Exemplo de metáfora na literatura:
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor.
Esse famoso poema de Camões é composto quase que inteiramente de metáforas, salvo pela última estrofe; cada verso tenta definir o que é o Amor, usando-se de imagens cotidianas e nenhuma conjunção comparativa.
E essa foi a quinta gramatical dessa semana, espero que tenham entendido e até a próxima.